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  • Mari Dalla

Sobre fins de tarde e o lusco-fusco

São 6 e pouco de uma tarde de quarta-feira. O horizonte na minha sacada começa a riscar de rosa e laranja e eu saio pra ver se o céu de hoje está tão lindo quanto o de ontem. E estava. Comemoro mais um fim de tarde perfeito em meio a dias imperfeitos, e dentre tantos outros que ainda passarei isolada.


Eu amo assistir ao por do sol. Às vezes eu choro. Às vezes fico em silêncio e apenas contemplo.. mas sempre agradeço. Só não gosto de ver o dia virar noite, vai entender.. Aqueles momentos de lusco-fusco me deixam confusa. É como se meu cérebro, não conseguindo definir se é dia ou se é noite, entrasse em colapso. Eu realmente não gosto de situações indefinidas.


E já tá fazendo um mês que o mundo, pra mim, está quase sempre anoitecendo... quase sempre em transição.. mas ainda não é noite. Ainda não é dia. É meia-luz. Não tô acostumada.


Eu sento e abro um vinho olhando a sacada já escura. Passa das sete, é hora de ter um copo na mão. “Seria tão bom se tivesse um mar bem aqui”, eu repito pra mim mesma como de costume. Não tem, no entanto.


O que tem somos apenas eu e essa cadeira e esse copo sempre cheio e sempre vazio, olhando as ruas tranquilas e as noites que passam devagar, esperando impacientemente o momento em que o dia vai clarear.



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